Quando o atleta sofre uma
contusão fazendo qualquer tipo de atividade física a primeira pergunta que nos
vem a mente é “O que eu faço”, “coloca gelo, passa uma pomada, coloca para
cima, faz compressa quente, etc..”
O que o
atleta tem que entender é que nem sempre quanto tem a presença de dor temos que
colocar gelo. Por exemplo nas lesões musculares temos as Distensões, e as
Contraturas. Existe também as fazes
Aguda e Crônica. Tudo vai depender do tipo de Lesão.
Por isso é muito importante que haja uma avaliação
antes de escolher a terapêutica que será utilizada.
Para
entender um pouco melhor como e quando aplicar o Gelo “podemos chamar Gelo de
Crioterapia” ou “Calor, podemos chamar o Calor de Termoterapia”, temos que
entender o principal aspecto Fisiológico de uma Lesão, a INFLAMAÇÂO.
A inflamação (do Latim inflammatio,
atear fogo) ou processo inflamatório é uma reação do organismo
a uma infecção ou lesão dos tecidos.
Os estágios
iniciais da inflamação são caracterizados por mudanças vasculares.
Imediatamente após a lesão, ocorre uma vasoconstrição local, que dura de 5 a 10 minutos. A
vasoconstrição é seguida por vasodilatação ativa de todos os vasos locais
pequenos e por fluxo sanguíneo aumentado. Este fenômeno possibilita o processo
de diapedese dos neutrófilos para os espaços teciduais, porém junto com essa
vasodilatação para a diapedese extravasa mais líquido, o que caracteriza o
aumento do edema. “Rosa et al.”
Classicamente, a inflamação é constituída pelos seguintes
sinais e sintomas:
1. Calor;
aquecimento
2. Rubor;
vermelhidão
3. Tumor;
inchaço
4. Dor;
5. Perda de
função
Entendendo o que acontece no seu
corpo nessa faze e sabendo que temos que lutar contra o tempo para diminuir
esses sinais e sintomas que recurso você diria que é mais eficiente ??
Bom se você ainda não tem a
resposta vamos entender o que a Crioterapia e a Termoterapia tem como efeito
Fisiológico no nosso corpo.
Gelo, Crioterapia.
Knight et al. relata que as
respostas fisiológicas locais às aplicações de frio incluem diminuição de temperatura, metabolismo,
inflamação, circulação, dor e espasmo Muscular.
Contraindicação.
Distúrbios que contraindicam o
uso da crioterapia são: Arteriosclerose; doença vascular periférica – o frio comprometerá a irrigação
sanguínea já comprometida na área; distúrbios como a doença de Raynaud; criglobinemia;
urticária do frio; sensibilidade cutânea defeituosa;
hipersensibilidade cutânea; fatores psicológicos. Além disto, deve cercar-se de
precauções ao aplicar agentes de resfriamento em áreas nas quais estruturas
contendo tecido nervoso se encontram muito superficiais como axila, dobra
anterior do antebraço, dobra posterior do joelho “região poplitea”
Calor, Termoterapia.
Os efeitos do calor sobre as taxas metabólicas, a inflamação e a
hemodinâmicas, são geralmente opostos aos do frio. “Starkey, 2001. P. 127” . Kitchen e Bazin afirmam que os efeitos terapêuticos do calor no local
aplicado geralmente são: alívio da dor, relaxamento muscular, elevação da
velocidade de fluxo sangüíneo, facilitação da cicatrização dos tecidos lesados
e redução da rigidez articular e Muscular.
Contraindicação:
A aplicação de calor é contraindicada
no atendimento imediato porque o maior metabolismo promoveria hipoxia
secundária à lesão, agravando o dano. Segundo Kitchen e Bazin podem contraindicar completamente o
tratamento, ou podem indicar a necessidade de cuidados especiais são: falta de sensibilidade
térmica por parte do paciente; circulação comprometida; áreas de sangramento ou
hemorragia recente; pele desvitalizada; feridas abertas;
Agora ficou bem claro que para
reduzir os sinais e sintomas iniciais da inflamação a melhor opção com certeza é
o gelo. Mas vejam bem “ Fase inicial” AGUDA, por isso é de extrema importância a avaliação de
um profissional para identificar se realmente o gelo é a melhor opção na fase
em que você se encontra.
Tanto a Crioterapia quanto a
Termoterapia apresentam relevantes benefícios no processo de reparo da lesão,
porém, têm sua melhor aplicação em diferentes fases da inflamação. Os efeitos
da Crioterapia são mais bem empregados quando utilizados no período inicial da
inflamação, geralmente durante a fase aguda que é das 24 a 72 horas após o trauma.
De acordo com Guirro et al.,
recomenda-se aplicação do frio durante 20 a 30 minutos com intervalo de duas horas nos
tecidos moles lesados. Aplicação deve ser realizada durante as primeiras 24 a 48 horas após a lesão
para minimizar o edema, espasmo muscular e dor.
Após esse período, outros
recursos, como a termoterapia, são mais eficazes. Por exemplo quando se tem
como objetivo o relaxamento muscular aumento do fluxo sanguíneo, quebra da
rigidez articular.
Porem tudo vai depender das necessidades reais do paciente e
da fase em que se encontra.
Lembre-se: Respeite
sempre a Fisiologia, sempre que 80% ou mais, dos sinais e sintomas da
Inflamação estiverem presentes a melhor opção é o Gelo.
Contraste Gelo + Calor.
O Contraste pode ser utilizado
onde os objetivos são vasomotores, isso é, alterações circulatórias que o
agente frio e o calor promovem nos tecidos.
Os vasos sanguíneos dilatam
quando é aplicado calor, e estreitam com a aplicação de frio. Esta mudança de
calibre dos vasos sanguíneos estimula a circulação, fazendo como uma Bomba
venosa na região aplicada.
Bibliografia.
Rosa, G. M. M; Nunes, C. B; Oliveira, J. S. Efeitos
Fisiológicos da Crioterapia na Inflamação Aguda por Traumatismo Fechado: uma
revisão. Reabilitar 14: 16-22- 2002
Knight, K. L.
Crioterapia no Tratamento das Lesões Esportivas. São Paulo: Manole, 2000.
Starkey, C. Recursos
Terapêuticos em Fisioterapia. São Paulo: Manole,2001.
Kitchen, S; Bazin, S. Eletroterapia
de Clayton. 10. ed. São Paulo: Manole,1998.
Guirro, R.; Davini, R.; Nunes, C. V. As Respostas
Musculares Induzidas após o Resfriamento Local. Anais do IX Congresso
Brasileiro de Biomecânica. 2001.

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